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Dormência no pé: o que pode ser e quais doenças podem causar esse sintoma?

há 2 minutos
4 min de leitura
Homem sofre com dormência no pé

Sentir o pé dormente de vez em quando pode parecer algo simples. Às vezes, basta mudar de posição, levantar depois de ficar muito tempo sentado ou movimentar a perna para que a sensação desapareça. Porém, quando a dormência aparece com frequência, dura muito tempo ou vem acompanhada de formigamento, queimação, dor ou perda de força, é importante investigar.


A dormência no pé é uma alteração da sensibilidade. A pessoa pode sentir que determinada região está “adormecida”, como se tivesse perdido parte da sensibilidade ao toque, à temperatura ou à pressão. Em muitos casos, o sintoma está relacionado aos nervos, mas problemas na coluna, doenças metabólicas, alterações articulares e algumas doenças reumáticas também podem estar envolvidos.


O que significa sentir dormência no pé?


A sensibilidade dos pés depende de uma rede de nervos que leva informações da pele, dos músculos e das articulações até o sistema nervoso central. Quando um nervo é comprimido, irritado ou sofre algum tipo de lesão, essa comunicação pode ser prejudicada.


O resultado pode ser dormência, formigamento, sensação de choque, queimação ou redução da capacidade de perceber dor e temperatura. A neuropatia periférica, por exemplo, costuma afetar mãos e pés e pode provocar justamente esse conjunto de sintomas.


A localização também pode oferecer algumas pistas. Dormência em apenas um pé pode estar relacionada a uma compressão localizada ou a uma alteração em determinado trajeto nervoso. Já sintomas que aparecem nos dois pés, especialmente de maneira semelhante, podem estar relacionados a uma neuropatia periférica ou a condições sistêmicas.


Isso não significa que seja possível descobrir a causa apenas observando o sintoma. A avaliação médica é necessária para diferenciar as possibilidades.


Por que a dormência no pé acontece?


Existem diversas causas para a perda de sensibilidade nos pés. Uma das mais conhecidas é a neuropatia diabética, que ocorre quando níveis elevados de glicose ao longo do tempo provocam danos aos nervos. Ela costuma começar nos pés e pode causar dormência, formigamento, queimação e dor, muitas vezes afetando os dois lados do corpo.


Outra possibilidade é a compressão de um nervo. Alterações na coluna, como hérnias de disco e estenose do canal vertebral, podem irritar estruturas nervosas e provocar sintomas que se estendem pela perna até o pé. A compressão também pode acontecer em pontos mais distantes da coluna, como na região do tornozelo.


Deficiências de vitaminas, principalmente vitamina B12, doenças da tireoide, alterações renais, consumo excessivo de álcool, alguns medicamentos e determinadas doenças autoimunes também podem estar relacionadas à neuropatia e à dormência.


Por isso, não é recomendado assumir que a dormência seja simplesmente “má circulação” ou consequência da idade.


Quais doenças articulares e reumáticas podem causar dormência no pé?


Algumas doenças reumáticas podem estar associadas à dormência de forma direta ou indireta. Isso acontece porque determinadas condições podem provocar inflamação, alterações nas articulações ou comprometimento dos nervos.


A artrite reumatoide, por exemplo, pode causar inchaço e inflamação ao redor das articulações. Em algumas situações, esse processo pode contribuir para a compressão de nervos e gerar sintomas neurológicos. A própria artrite reumatoide está entre as doenças autoimunes associadas à neuropatia periférica.


O lúpus eritematoso sistêmico também pode afetar o sistema nervoso periférico em alguns pacientes. Já as vasculites, que são doenças caracterizadas pela inflamação dos vasos sanguíneos, podem comprometer o fornecimento de sangue aos nervos e provocar neuropatia.


A síndrome de Sjögren é outra doença autoimune que pode estar associada a neuropatias periféricas. Nesses casos, a dormência pode aparecer acompanhada de queimação, formigamento ou dor.


Entre as doenças articulares, a osteoartrite também merece atenção. Alterações degenerativas podem favorecer a formação de osteófitos, conhecidos popularmente como “bicos de papagaio”, que em determinadas regiões podem reduzir o espaço por onde passam os nervos e contribuir para compressões.


A gota e a artrite psoriásica também podem causar problemas nos pés, embora a dormência não seja necessariamente o sintoma principal. Dor, inchaço, rigidez e alterações estruturais podem coexistir com sintomas neurológicos e precisam ser avaliados em conjunto.


Quando a dormência no pé merece atenção?


Uma dormência que desaparece rapidamente depois de mudar de posição geralmente tem uma explicação simples. O problema está quando o sintoma começa a fazer parte da rotina.


Procure avaliação médica se a dormência for persistente, estiver aumentando, interferir na caminhada ou nas atividades diárias ou vier acompanhada de dor, fraqueza, alterações de equilíbrio ou perda progressiva da sensibilidade.


Algumas situações exigem atendimento imediato. Dormência que surge de maneira súbita em um lado do corpo, especialmente acompanhada de fraqueza, dificuldade para falar ou alteração facial, pode ser sinal de uma emergência neurológica. Da mesma forma, dormência na região íntima associada a alterações urinárias ou intestinais e fraqueza nas pernas exige avaliação urgente.


Como melhorar a dormência no pé?


A melhor forma de melhorar a dormência é tratar a causa. Não existe um único tratamento que funcione para todas as pessoas porque o sintoma pode ter origens completamente diferentes.


Durante a avaliação, o médico pode investigar o histórico dos sintomas e realizar um exame físico para analisar força, reflexos, sensibilidade e funcionamento dos nervos. Dependendo da suspeita, podem ser solicitados exames de sangue, exames de imagem ou eletroneuromiografia.


Quando existe compressão de um nervo, o tratamento pode envolver fisioterapia, medicamentos, mudanças de atividade e, em situações específicas, procedimentos ou cirurgia. Quando a causa é uma doença sistêmica, controlar adequadamente essa condição é parte fundamental do tratamento.


No caso da neuropatia diabética, por exemplo, o controle da glicemia e o acompanhamento médico são importantes para evitar a progressão do dano nervoso. Também é fundamental cuidar dos pés, já que a perda de sensibilidade pode fazer com que pequenos ferimentos, queimaduras ou infecções passem despercebidos.


Dormência no pé não deve ser ignorada


A dormência no pé pode ter uma causa simples e passageira, mas também pode ser o primeiro sinal de uma alteração que precisa de tratamento. Problemas nos nervos, na coluna, diabetes, doenças articulares e doenças reumáticas estão entre as possibilidades que precisam ser consideradas.


Mais importante do que tentar adivinhar a causa é observar a frequência, duração e evolução do sintoma. Quando a dormência persiste ou aparece acompanhada de dor, formigamento, fraqueza ou dificuldade para caminhar, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar a origem e definir o tratamento mais adequado.


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